

Vivemos um tempo de rápidas, necessárias e positivas mudanças. Na educação, um grande plano de desenvolvimento nacional se avantaja sob nossos olhos e, apesar de alguns salários indignos (principalmente na rede estadual), nós, professores, aguardamos com esperança os novos dias que virão para a educação como um todo. Um aspecto educacional relevante, mas que foi sublimado ao longo dos anos, está de volta com força total: a educação musical! E não pensem que me refiro ao aprendizado em salinhas fechadas e isoladas onde,as crianças treinavam por horas a fio sequências musicais sem sentido, ou ao aprendizado de músicas para estabelecer rotinas escolares: meu lanchinho, meu lanchinho, vou comer... A música que se apresenta agora e viva, plena de significados e esperanças! São projetos que reúnem a herança musical - patrimônio acumulado pela humanidade e a construção individual e coletiva em relação ao que se entende, percebe e sente sobre música: uma união plausível entre Piaget, Paulo Freíre e KoeIlreuter, que me atrevo a caracterizar como música, construção e inclusão. Mas alguns podem perguntar: Onde está esta "nova" música? Respondo de peito aberto sobre os projetos de educação musical próximos a nós, e que estão resignificando a vivência musical das classes populares: CANTA BRASIL, em Canoas; MUSICALIZAÇÃO E INCLUSÃO, em Cachoeirinha; e em Gravataí, na rede municipal de ensino, os projetos CANTE NA ESCOLA, TOQUE NA ESCOLA e BANDAS ESCOLARES, com a existência das Bandas Novo Milênio, Getúlio Vargas e Santa Rita de Cássia - alguns destes projetos iniciados a partir do ano de 1998. Posso ainda citar o CORAL CARLOS BINA-SOGIL - uma iniciativa bem anterior e solitária de promover a música e a inclusão na escola pública. Durante muitos anos estudar música, integrar um coral ou uma banda, era privilégio de uns poucos. Atualmente professores, gestores públicos, empresas, compreenderam a importância de investir em educação musical. E nossa cidade tem sido assombrada com Festivais de Corais, de Dança, de Bandas Marciais ... Temos uma Banda Municipal! Já é quase impossível conceber uma solenidade em Gravataí sem pensar qual atração cultural fará a abertura ... Todos os dias ouve-se: tem um coral na escola tal, outra escola criou uma invernada artística, tem um grupo de pagode novo no bairro, meus alunos compõem letras de RAP ... Tudo isso porque descobrimos que a música é nossa! Ela nos acompanha desde antes do nascimento, nos sons ouvidos de dentro do Útero materno, e estará conosco até depois da vida, nos hinos entoados em nossa homenagem. Cada um de nós tem uma trilha sonora individual que traz de volta os bons e os saudosos momentos. Por isso, todos podemos fazer/vivenciar a música. E o dia ideal para começar é hoje: Ligue o rádio! Encontre aquele CD preferido! Varie estilos. Não tenha vergonha! Você pode começar no chuveiro. Ou tamborilando com os dedos na mesa ... Atreva-se! Em seguida, ligue para a FUNDAR, informe-se sobre as oficinas gratuitas. Nosso corpo pode muito mais que falar, ouvir, ler, mover-se ... Ele pode FAZER MÚSICA. E viva a democratização da música!
Ligia Ramos é pedagoga e regente do Coral Carlos Bina-SOGIL