domingo, 3 de agosto de 2008

No mínimo, inoportuna...

A abertura dos Jogos Pan-Americanos do Brasil comoveu-me como há muito não acontecia em frente à televisão. Afora o espetáculo de cores e formas e a adorável voz da Adriana Calcanhoto, as lágrimas de um homem tocaram meu coração. Sou sempre solidária ao ver alguém chorar, principalmente os mais humildes. E esse era o caso. O homem que eu vi chorar é um retirante, nordestino e pobre, sem muita instrução formal, mas que por força e obra do destino e da vontade da ampla maioria do povo, está pelo segundo mandato, presidente da República Federativa do Brasil. O improvável aconteceu: Lula recebeu uma vaia e não abriu os Jogos Pan-Americanos. Mas o que significou, naquele contexto, a vaia à autoridade constituída do Presidente da República?! E para o homem Lula, que impacto teve a vaia?! Em tempos de tantas acusações, telefonemas grampeados, Lula é acusado de quê mesmo? Em qual CPI ele é o investigado ou suspeito?
Para nossos filhos e alunos sempre ensinamos que existe momento próprio para todas as manifestações. Muitas vezes já fui questionada pelos alunos porquê vamos às assembléias sindicais bater nossas sinetas, e sempre respondi: Lá é o fórum apropriado. E em eventos solenes, com o Coral, já tive a oportunidade de ensinar: Este é o governador. Foi eleito pela maioria do povo. Deve ser respeitado. Até na Bíblia está escrito, em Eclesiastes 3:1 - “Debaixo do céu existe momento certo para todas as coisas(...)” . E aquele não foi um momento oportuno, assim como não foi correto nem oportuno que estudantes atirassem ovos no ex-presidente Fernando Henrique. Diversos amigos meus, de variadas sensibilidades políticas comentaram sobre a impropriedade e o constrangimento do ato, tanto em respeito ao ser humano, quanto pela falta de respeito a toda a nação que assistiu ao longo do último período altos investimentos para a realização do Pan, no Rio de Janeiro.
Nas lutas sociais e sindicais gritamos palavras de ordem, em solenidades, respeitamos mesmo a contragosto, a autoridade conferida pela maioria...Mas aquele público não me parecia muito acostumado a ter que lutar por seu direitos. (Ainda bem que foi no Rio de Janeiro! Morreria de vergonha se tivesse algum aluno meu lá!)
Vaiar Lula e debochar da língua do Presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (ODEPA), o mexicano Manuel Vasquez Rana, a cada vez que ele usava o advérbio hoje em espanhol, demonstra o quanto ainda precisamos investir em educação no Brasil, não apenas através do PRÓ-UNI, PRÓ-JOVEM, livros didáticos para o Ensino Médio, FUNDEB... criados no governo Lula, mas educar e retomar valores nas famílias, nos meios de comunicação, nos estádios, nos ônibus, no cotidiano.
Não é a primeira vez que turbas insandecidas tomam atitudes que os envergonharão no futuro, mas devemos perdoá-los: Eles não sabem o que fazem...
Da próxima vez, façam o Pan no Rio Grande... Boa educação não nos falta!

Nenhum comentário: